No mês de agosto deste ano, durante o Super Campeonato Feminino de Futebol do Tony Gol, realizado na modalidade terrão, uma polêmica marcou a rodada. O time Leoas CG, comandado por sua treinadora Bárbara, recusou-se a entrar em campo após a organização anunciar, faltando poucos minutos para a partida, que atletas trans femininas poderiam atuar mediante apenas a apresentação de documento com nome social sem exigência de comprovação médica ou acompanhamento hormonal.
A técnica relatou que essa decisão foi recebida com surpresa e indignação, uma vez que não havia transparência prévia na regra e que a inclusão repentina de uma atleta trans feminina traria desigualdade competitiva e risco físico às jogadoras.
“Não é uma questão de preconceito ou transfobia, mas sim de justiça. O futebol é um esporte de contato físico, e colocar mulheres biológicas para dividir bola com mulheres trans significa aumentar riscos de lesões e desequilibrar a competição”, afirmou Bárbara.
Diferenças biológicas que impactam o esporte
Estudos científicos têm mostrado que, mesmo após processos hormonais, atletas trans femininas mantêm parte de vantagens estruturais adquiridas durante a puberdade masculina. Entre os fatores apontados estão:
• Maior densidade óssea
• Força muscular superior
• Menor percentual de gordura corporal
• Velocidade e explosão física maiores
Essas diferenças, ressaltou a técnica, permanecem relevantes no futebol, onde a força, a resistência e a velocidade são determinantes em disputas de bola, divididas e jogadas de contato.
O episódio em campo
Diante da recusa em aceitar a imposição, o time Leoas CG decidiu não entrar em campo. A treinadora afirma que, mesmo após acordo verbal com o organizador de suspender a partida, o wo (derrota automática) foi dado ao time. Após pressão, a inscrição de R$ 490 foi devolvida.
Segundo ela, as atletas foram ofendidas com xingamentos como “transfóbicas” e “covardes”, mas o posicionamento foi mantido em nome da integridade física e da justiça esportiva.
Reconhecimento da luta de outras categorias
A técnica Bárbara reforçou que a decisão não tem caráter discriminatório, citando como exemplo positivo o primeiro amistoso realizado entre times de homens trans, em Campo Grande, sem conflitos ou polêmicas.
“Apoiamos iniciativas que busquem o fortalecimento de novas categorias, como a dos trans masculinos. O que não podemos aceitar é que a luta histórica do futebol feminino seja desvalorizada com a introdução de vantagens biológicas inegáveis”, declarou.
Conclusão
O caso reacende o debate sobre a inclusão de atletas trans no esporte e a necessidade de critérios técnicos claros para preservar tanto a segurança quanto a equidade competitiva. Para a treinadora, a posição do Leoas CG não é contra a participação de pessoas trans no esporte, mas sim pela garantia de que o futebol feminino permaneça justo, competitivo e respeitado.
Foto: Instagram @leoas.cg





