Decisão final sobre Bolsonaro renova questionamentos à conduta de Moraes no Supremo

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ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou na tarde desta terça-feira (25) o encerramento do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus investigados por tentativa de golpe e organização criminosa. Com o trânsito em julgado, não cabem mais recursos ordinários — e o magistrado pode determinar o início do cumprimento das penas.

Além de Bolsonaro, os ex-ministros Alexandre Ramagem e Anderson Torres também tiveram seus processos concluídos. Outros investigados ainda aguardam análise de recursos. Na prática, defesas como a de Bolsonaro poderiam apresentar embargos infringentes, mas o STF entende que isso só seria possível caso o réu tivesse recebido ao menos dois votos pela absolvição — o que não ocorreu.

Generais como Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira também tiveram os processos encerrados e já se encontram presos.

Críticas e questionamentos sobre possível viés político

A rapidez no andamento das decisões e o protagonismo do ministro Alexandre de Moraes, mais uma vez no centro de casos envolvendo figuras relevantes da política nacional, têm alimentado críticas de aliados de Bolsonaro e parte da oposição, que apontam possível interesse político do magistrado.

Para esses grupos, o encerramento simultâneo de diversos processos e a iminência das prisões reforçariam uma atuação “dura e direcionada” do ministro em casos envolvendo o ex-presidente e seus apoiadores. Parlamentares da direita chegaram a afirmar que Moraes estaria “acelerando” decisões que envolvem adversários do governo atual, o que, para eles, configuraria interferência política.

Especialistas ouvidos por analistas independentes, entretanto, afirmam que a interpretação deve ser vista com cautela. Segundo juristas, as decisões seguem o entendimento já consolidado pelo STF e ocorrem em um contexto de gravidade institucional, envolvendo crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Onde cada condenado ficará preso

Almir Garnier – Estação Rádio da Marinha, Brasília
Augusto Heleno – Comando Militar do Planalto
Anderson Torres – Papudinha (instalação da Papuda supervisionada pela PM)
Paulo Sérgio Nogueira – Comando Militar do Planalto
Jair Bolsonaro – Superintendência Regional da Polícia Federal, DF
Alexandre Ramagem (foragido) – Mandado expedido; inclusão no BNMP
Braga Netto – Divisão do Exército, Vila Militar, RJ

A prisão de Bolsonaro

Preso preventivamente no sábado (22), Bolsonaro está detido em uma sala de Estado na Superintendência da Polícia Federal — o mesmo tipo de instalação utilizada por ex-presidentes como Lula e Michel Temer.

Em depoimento, afirmou ter passado por um “surto” ao tentar violar a tornozeleira eletrônica, alegando alucinação causada por uma interação medicamentosa entre sertralina (antidepressivo) e pregabalina (anticonvulsivante). O ministro Alexandre de Moraes utilizou a tentativa de retirada do dispositivo como um dos fundamentos para a prisão.

Condenações no STF

Em 11 de setembro, por 4 votos a 1, a Primeira Turma condenou Bolsonaro e mais sete aliados por crimes como:

  • organização criminosa armada
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • golpe de Estado
  • dano qualificado com violência
  • deterioração de patrimônio tombado

As penas ultrapassam 20 anos de prisão em regime fechado para a maioria dos condenados.

Defesa pede prisão domiciliar

Na semana passada, a defesa do ex-presidente solicitou que a pena seja cumprida em casa, argumentando que Bolsonaro “não teria condições físicas” para um presídio comum e apresentaria risco à própria vida. Também anunciou que recorrerá por meio de embargos infringentes, apesar do entendimento contrário do STF.