De senadora de Bolsonaro a candidata de Lula: a virada política de Soraya Thronicke em MS

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Soraya e Geraldo Alckmin. (Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa)

A recente mudança de posicionamento da senadora Soraya Thronicke tem gerado repercussão no cenário político de Mato Grosso do Sul. Eleita em 2018 na esteira do bolsonarismo, como a senadora do então presidente Jair Bolsonaro, a parlamentar agora assume o comando do PSB no Estado declarando apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.

A guinada política levanta questionamentos sobre coerência ideológica e estratégia eleitoral. Durante a campanha que a levou ao Senado, Soraya se apresentou como uma representante alinhada à direita e às pautas defendidas por Bolsonaro. No entanto, ao longo dos últimos anos, seu discurso passou por mudanças, culminando agora em um alinhamento com o atual governo federal, historicamente adversário do bolsonarismo.

Ao assumir a direção do PSB em Mato Grosso do Sul, a senadora afirmou que a decisão representa um “alinhamento com pautas sociais e econômicas” e um compromisso com o fortalecimento da democracia. Ainda assim, a mudança não foi bem recebida por todos dentro do próprio partido.

Internamente, o PSB sul-mato-grossense já enfrenta divisões. Parte dos filiados defende o apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel, do Progressistas, o que contraria a linha nacional da legenda. O cenário evidencia um partido fragmentado e em processo de reorganização.

A insatisfação ficou ainda mais evidente com a saída do ex-presidente estadual da sigla, Paulo Duarte, que se filiou ao PSDB. A decisão foi motivada, segundo ele, pela discordância em apoiar candidatos ligados ao PT.

Analistas políticos avaliam que a mudança de posicionamento de Soraya pode estar diretamente ligada ao cenário eleitoral de 2026, já que a senadora deve disputar a reeleição. A aproximação com o governo federal e com a estrutura nacional do PSB pode representar uma tentativa de ampliar alianças e fortalecer sua base política.

Por outro lado, a rejeição por parte do eleitorado é apontada como alta e crescente. Assim como ocorreu na candidatura passada, há a percepção de que o cenário pode mudar novamente, já que muitos eleitores demonstram forte desconfiança em relação à mudança de posicionamento. Críticos afirmam que essa oscilação reforça a imagem de incoerência política, alimenta suspeitas de oportunismo e pode provocar um desgaste ainda maior, enfraquecendo sua base de apoio e ampliando a resistência entre eleitores.

Com o novo posicionamento, Soraya Thronicke passa a enfrentar o desafio de justificar sua mudança ao eleitorado e, ao mesmo tempo, unificar um partido dividido em Mato Grosso do Sul. O próximo ciclo eleitoral deve ser decisivo para medir os impactos dessa guinada em sua trajetória política.