Investigação aponta possível ligação entre a morte de Everton Rodrigues Lopes, o “Binha”, e a execução de Lucas Gomes e Juliane Malar; polícia apura homicídio dentro da prisão.
A morte do detento Everton Rodrigues Lopes, conhecido como “Binha” ou “Salvador”, dentro da Penitenciária de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, pode estar diretamente relacionada ao duplo homicídio registrado em Ivinhema na noite de terça-feira (23). Segundo informações apuradas durante as investigações, ele seria apontado como o possível mandante da execução de Lucas Gomes dos Santos, de 27 anos, e Juliane Malar, de 59 anos.
Everton foi encontrado morto na tarde de quarta-feira (24), durante o banho de sol dos internos. Inicialmente, a ocorrência levantou a hipótese de suicídio, mas a perícia identificou indícios de que a cena pode ter sido alterada para simular a própria morte. Diante das evidências, a Polícia Civil passou a investigar o caso como homicídio qualificado.
No mesmo dia, um homem de 36 anos foi preso em flagrante por suspeita de envolvimento no assassinato do casal em Ivinhema. Conforme a Polícia Civil, o investigado teria saído de Campo Grande com o objetivo de executar o crime e permanece preso à disposição da Justiça.
De acordo com informações divulgadas pelo portal Vale do Ivinhema, as ordens para a execução teriam partido de dentro da Penitenciária de Segurança Máxima e sido dadas por Everton Rodrigues Lopes, que morava em Ivinhema antes de ser preso. A informação, entretanto, ainda não foi oficialmente confirmada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
As investigações sobre o duplo homicídio avançaram após diligências realizadas pela Delegacia de Polícia Civil de Ivinhema. Testemunhas foram ouvidas e diversos elementos reunidos, culminando na prisão do suspeito. A polícia segue apurando a participação de outros envolvidos e a motivação do crime.
O duplo homicídio
Lucas Gomes dos Santos foi executado a tiros na calçada, em frente à residência de Juliane Malar, no Bairro Piravevê, em Ivinhema. Conforme as investigações, dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram vários disparos contra a vítima.
Juliane também foi atingida pelos tiros. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal de Ivinhema, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois.
Desde os primeiros levantamentos, a polícia trabalha com a hipótese de que Juliane não era o alvo dos criminosos e tenha sido atingida por engano durante o atentado.
Morto dentro da prisão
Everton Rodrigues Lopes cumpria pena superior a 44 anos de prisão pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele foi um dos principais condenados da Operação Fóssil, conduzida pela Seção de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Nova Andradina, que desarticulou uma organização criminosa responsável pelo abastecimento do tráfico de drogas na região.
Segundo o boletim de ocorrência, o detento foi encontrado na área de convivência da Galeria A, no Pavilhão 2 da penitenciária. No entanto, a perícia constatou que as lesões identificadas no pescoço eram incompatíveis, em análise preliminar, com a versão inicial apresentada, reforçando a suspeita de homicídio.
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informou que o caso segue sob investigação. Já a Polícia Civil de Ivinhema ainda não confirmou oficialmente a suposta participação de Everton como mandante do duplo assassinato.





