Servidor público federal teve 30% do corpo queimado e ficou internado na UTI; suspeita afirma que queria apenas “assustar” o companheiro durante discussão.
A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou por tortura a médica-veterinária, de 42 anos, acusada de atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos, durante uma discussão ocorrida no dia 22 de junho, no bairro Santa Luzia, em Campo Grande. O despacho com o indiciamento foi finalizado na quarta-feira (1º).
De acordo com as investigações, o casal discutia sobre uma suposta traição quando a mulher utilizou álcool e fogo, provocando queimaduras em cerca de 30% do corpo da vítima. O servidor precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas, conforme informações, apresentou evolução positiva no quadro clínico.
Os dois filhos do casal, de 9 e 22 anos, presenciaram o episódio.
Suspeita nega ter colocado fogo diretamente na vítima
Durante audiência de custódia, a médica-veterinária afirmou que a intenção era fazer o marido confessar um suposto relacionamento extraconjugal em Brasília. Segundo ela, o casal já havia discutido sobre o assunto anteriormente e retomou a conversa na manhã do crime.
A suspeita relatou que pegou um frasco de álcool de limpeza e despejou parte do líquido sobre a mochila do marido, alegando que pretendia incendiar apenas os pertences dele.
Ela afirmou ainda que acredita que, durante o movimento, parte do álcool atingiu as roupas do servidor, mas negou ter colocado fogo diretamente no corpo da vítima.
Isqueiro seria apenas para “assustar”
Ainda em depoimento, a mulher contou que perseguiu o marido até a garagem com uma carteira de cigarros e um isqueiro escondidos sob um casaco. Segundo ela, a intenção era apenas produzir o barulho do isqueiro para intimidá-lo.
A médica-veterinária afirmou que só percebeu que a roupa do marido havia pegado fogo quando a camiseta mudou de cor. Em seguida, tentou retirar a peça enquanto ambos caíam no chão tentando apagar as chamas.
A filha do casal chegou ao local logo depois e teria utilizado uma mangueira para ajudar a controlar o incêndio.
Atendimento e arrependimento
Após o ocorrido, a suspeita levou o marido a um hospital particular em seu próprio veículo. Posteriormente, quando foi necessária a transferência para o Proncor, ela afirmou ter custeado uma ambulância particular.
Questionada sobre o caso, a mulher declarou estar arrependida e disse que jamais teve a intenção de provocar ferimentos graves no companheiro.
Segundo ela, acreditava que a ameaça faria o marido contar a verdade sobre a suposta traição. A investigada também informou sofrer de depressão e transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e revelou que estava sem utilizar a medicação prescrita havia entre 15 e 20 dias.
Com a conclusão do inquérito, o caso segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça.





