O adolescente João Vitor dos Santos Silva, de 17 anos, foi brutalmente assassinado a tiros e esfaqueado na madrugada desta quinta-feira (29), no Jardim Centro Oeste, em Campo Grande. O crime ocorreu por volta das 4h30, dentro da residência da vítima, localizada na Rua José Pedrossian, enquanto o jovem dormia.
De acordo com o pai do adolescente, Ivo Gabriel, entre três e quatro homens armados chegaram ao local e efetuaram disparos para o alto antes de invadir o imóvel. Na sequência, o grupo entrou na casa e passou a atirar contra João Vitor, que foi atingido por quatro a cinco tiros de pistola calibre 9 mm, sendo dois na cabeça e outros no peito.
Mesmo após os disparos, os criminosos ainda esfaquearam o adolescente, cortando seus pulsos e perfurando sua barriga. Em uma tentativa de apagar vestígios do crime, os autores jogaram areia no chão da residência para encobrir as marcas de sangue e fugiram logo em seguida.
Ameaça de morte dias antes do crime
Segundo relatos do pai, João Vitor havia discutido com a namorada dias antes do assassinato. No domingo (25), ela retornou à casa do adolescente acompanhada de um homem armado com uma faca, que seria um ex-detento, recém-saído do presídio na sexta-feira (23). Na ocasião, o suspeito teria ameaçado matar o jovem.
“O rapaz saiu da cadeia na sexta, veio aqui no domingo e disse que ia matar meu filho. A gente achou que fosse só uma discussão. De madrugada, eles entraram, meu filho estava dormindo, se assustou com o barulho da porta”, relatou o pai, bastante abalado.
Investigação e buscas
A Polícia Civil e a Perícia Criminal foram acionadas e realizaram os primeiros levantamentos no local. O principal suspeito do crime já foi identificado, e equipes policiais realizam rondas na região na tentativa de capturá-lo.
Família decide doar as córneas
Mesmo diante da dor, a família de João Vitor tomou a decisão de doar as córneas do adolescente. A mãe do jovem, que ouviu os tiros enquanto saía para trabalhar, fez um relato emocionado.
“Eu pego o ônibus 4h40 da madrugada. Quando escutei os tiros, vi meu filho caído no chão, todo ensanguentado. Não consigo assimilar. Meu filho morreu, mas pelo menos vai fazer o bem para alguém que precisa das córneas”, disse.
O pai também fez um desabafo emocionado e pediu justiça.
“A gente nunca passou pela polícia. Eu queria que meu filho não tivesse se envolvido com nada, mas a gente não sabe tudo o que os filhos fazem. Agora só queremos justiça. Se esse homem saiu da cadeia na sexta e já fez isso, espero que fique um bom tempo preso”, finalizou.





