Imagens divulgadas nas redes sociais pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) mostram momentos de tensão envolvendo policiais e indígenas em uma área localizada na região sul de Mato Grosso do Sul. Nos registros, agentes de segurança aparecem avançando sobre o grupo enquanto bombas de gás são lançadas para dispersar os indígenas.
Segundo relato publicado pelo Cimi, a ação ocorreu sem diálogo prévio. Um indígena da aldeia descreveu a situação como crítica. “Está muito ruim aqui. Chegaram com muito ódio, sem diálogo, estão atacando sem piedade. Pedimos socorro, nossas famílias, idosos, estão no rumo das bombas e tiros”, afirmou.
A comunidade também denuncia a presença de supostos jagunços que estariam atuando ao lado de fazendeiros durante as investidas. Ainda conforme o Cimi, o conflito teria começado após indígenas realizarem a “retomada” de uma área que faz parte da Terra Indígena Iguatemipeguá II, em processo de identificação e demarcação desde 2008.
Apesar da reivindicação, não há até o momento decisão judicial que reconheça oficialmente a posse da área aos povos Guarani e Kaiowá. A região da Reserva Limão Verde fica entre os municípios de Amambai e Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai.
Neste domingo (26), três indígenas foram presos pela Polícia Militar sob acusação de obstruir a passagem de veículos na rodovia MS-156. Até o momento, não há confirmação se houve autuação em flagrante.
O Cimi classificou a ação como uma “operação de guerra” e afirmou que, desde a manhã de domingo, forças estaduais intensificaram as ações na área após a retomada de parte da Fazenda Limoeiro, que faz divisa com a reserva e se sobrepõe ao território tradicional tekoha Tapykora Kora.
Até agora, não há informações consolidadas sobre possíveis feridos ou o número total de detidos. Lideranças indígenas pedem a intervenção urgente da Força Nacional de Segurança Pública e de autoridades federais.
A reportagem buscou posicionamento da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), mas não houve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.





