O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM/MS) suspendeu por 30 dias a médica Karin Kiefer Martins e o anestesista Antônio Rodrigues de Pontes, condenados por erro médico que deixou Roberto de Avelar Júnior, o Juninho, em estado neurovegetativo. O jovem é filho do vereador de Campo Grande, Beto Avelar (PP).
A decisão foi unânime durante o julgamento ético realizado na noite de quinta-feira (24). O caso teve início em fevereiro de 2022, quando Juninho passou por uma cirurgia ortopédica e sofreu uma parada cardiorrespiratória, resultando em danos neurológicos permanentes.

De acordo com o CRM/MS, o anestesista Pontes Neto foi condenado por dano ao paciente, delegação indevida de funções médicas, recusa em informar sobre riscos de procedimento e imperícia nos meios de prevenção e tratamento — condutas que violam os artigos 1, 2, 18 e 22 do Código de Ética Médica.
“O silêncio sobre o erro médico é cúmplice do próximo erro”, diz pai
Em nota, o vereador Beto Avelar destacou que a punição representa “a maior penalidade que um médico pode receber no âmbito do CRM/MS” e comemorou o resultado como um avanço em busca de justiça.
“O silêncio sobre o erro médico é cúmplice do próximo erro, e o CRM/MS não foi conivente com os profissionais que, ao errarem, destruíram a vida do meu filho e da minha família”, afirmou.
Avelar relembrou os anos de dor e espera até o julgamento, e disse que o caso inspirou outras pessoas a denunciarem situações semelhantes.
“Quando comecei a divulgar o caso, recebi mensagens de pessoas que também sofreram com erros médicos. Isso mostra o quanto esse problema é grave e precisa ser enfrentado com coragem e verdade”, completou.
Emocionado, o parlamentar descreveu a convivência diária com o filho, que vive em estado neurovegetativo há mais de dois anos:
“O que sinto é um luto diário com meu filho vivo. Esse erro médico adoeceu toda a minha família, mas não posso esmorecer. Preciso seguir firme por ele, por nós e por todas as famílias que ainda esperam justiça.”
A defesa dos médicos ainda pode recorrer ao Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo Avelar, ele pretende apresentar recurso adesivo pedindo a cassação definitiva dos registros profissionais dos envolvidos.
“A justiça para o paciente é a única cura para o erro médico”, concluiu.





